
Você já foi surpreendido com uma vontade de louvar o Senhor em momentos inesperados?
Algo como você acaba de sair de uma aula onde ouviu sobre os atributos do Deus que é onipresente, infinitamente sábio, e ao mesmo tempo é insondável e pessoal. Então ao pensar nesta grandeza de Deus, ao refletir sobre um Ser tão especial, você se lembra que Ele te ama e te salvou… E aí seu coração se enche de vontade de louvá-lo por isto.
Ou talvez você já tenha sentido isto ao término de uma pregação, na leitura de um livro, ao ouvir o testemunho de uma pessoa ou ao ler a palavra do Senhor.
Isto é louvor! Isto é louvor genuíno! Quer dizer, não são apenas palavras que você diz por que todos estão dizendo, mas são palavras que se tornaram o fruto da sua admiração pelo Senhor. O fruto do seu conhecimento de Deus – da sua teologia.
Observe a experiência de Davi no Salmo 139. É um salmo tão belo, tão pessoal, e tão teológico! Tente sentir a experiência que o autor está expressando aqui:
Nos versos 1 a 4, ele fala sobre a onisciência de Deus – ele conhece todas as coisas. No verso 5 ele começa a falar sobre a onipresença de Deus – ele está em todos os lugares. Mas então, no verso 6, ele precisa interromper o que vem dizendo sobre Deus. Ele precisa dizer que estes atributos do Senhor são maravilhosos demais! Ele precisa louvar ao Senhor por isto.
Assim que se recompõe de sua admiração, Davi volta ao que estava escrevendo sobre esta presença do Senhor em todos os lugares, até o verso 12. No verso 13 ele começa a falar sobre Deus como Criador, que o formou ainda no ventre de sua mãe e novamente, no verso 14, sua teologia é interrompida por louvor ao Senhor. Ele não pode continuar falando sobre este Deus sem louvá-lo, ele está maravilhosamente assombrado com as obras do Senhor.
Ele tenta retomar seu pensamento sobre o Deus Criador nos versos15 e 16, mas logo é lembrado sobre o planejamento de Deus para sua vida e novamente, nos versos 17 e 18, ele precisa louvar a este Deus por ser tão sábio.
O trecho dos versos 19 a 22 nos ofende um pouco. Aqui Davi é muito violento para nós, e preferimos, em nossas leituras nos cultos, pular estas ofensivas palavras. Mas entenda o que está acontecendo: Davi está maravilhado por este Deus tão grandioso que quando ele percebe a maneira que os perversos têm ofendido ao Senhor com suas palavras, ele toma esta ofensa para si. Ninguém que ofendesse este Deus que ele admirava tanto contaria com a simpatia de Davi. Lembre-se do que o motivou a lutar contra o gigante Golias: “quem era aquele incircunciso para proferir aquelas palavras contra o Senhor?”. O nosso amor por Deus deveria fazer de nós pessoas zelosas como Davi. Longe de ser como estes homens, nos dois últimos versos o salmista expressa seu receio que algo houvesse em seu coração que o impedisse de continuar nos caminhos eternos do Senhor, e roga para ser sondado por Ele.
Você percebe o que temos neste salmo? Uma descrição dos atributos de Deus que precisa ser constantemente interrompida por louvor a este Deus.
O mesmo acontece com você? O seu louvor é um reflexo de suas experiências e observações sobre Deus ou é apenas repetição da palavra de experiência de outras pessoas? Seu conhecimento sobre Deus tem de fato, de aproximado mais ainda dEle?
Pense nestas palavras do teólogo John Sttot:
“Existe alguma coisa fundamentalmente errada quando temos um interesse em Deus puramente acadêmico. Deus não é um objeto possível de observação científica e de avaliação fria, crítica e isenta. Não, o verdadeiro conhecimento de Deus sempre nos levará à adoração [...] Nosso lugar é diante dele, prostrados em adoração”














